15 maio 2008

Nutrição Clínica no Câncer - A que se propõe

Postado por Isnádia Costa em: Nutrição e Câncer .

Síndrome da Anorexia e Caquexia em Câncer
Atualmente, o câncer representa a segunda maior causa de mortalidade no Brasil, sendo responsável por 10,86% das mortes por doença. Estimou-se 472.050 novos casos, para o ano de 2006 (Inca, 2006).

A detecção precoce e os tratamentos adjuvantes (quimioterapia, radioterapia, suplementos nutricionais) têm aumentado a sobrevida de doentes oncológicos. No entanto, quando a doença alcança estágios mais avançados, surgem sintomas progressivos de desconforto, como dor, fraqueza e perda de peso.

A desnutrição é muito prevalente no paciente oncológico (doentes com câncer). e associa-se à diminuição da resposta ao tratamento específico e à qualidade de vida, com maiores riscos de infecção pós-operatória e aumento na morbidade e mortalidade. O grau e a prevalência da desnutrição dependem também do tipo e do estágio do tumor, dos órgãos envolvidos, dos tipos de terapia anticâncer utilizadas, da resposta do paciente e da localização do tumor, que quando atinge o trato gastrointestinal, a desnutrição é bastante evidenciada (Inui, 2002; Tisdale, 2001).

A perda de peso significativa tem associação com a anorexia. A anorexia (perda espontânea e não intencional de apetite) é um dos sintomas mais comuns de câncer avançado. Resulta de alterações do paladar e olfato ou mudanças na regulação hipotalâmica. A desnutrição grave acompanhada de anorexia e astenia (fraqueza orgânica) é denominada caquexia (Argilés, 2003; Nelson, 2000; Tisdale, 2000).

A palavra caquexia é derivada dos termos gregos “kakos” (ruim) e “hexis” (condição). A caquexia cancerosa é uma síndrome complexa e multifatorial caracterizada por um intenso e generalizado consumo dos tecidos corporais, muscular e adiposo, com uma perda progressiva e involuntária de peso, anemia, astenia, balanço nitrogenado negativo, disfunção imune e alterações metabólicas, geralmente associadas à anorexia (Martignoni; Kunze; Friess, 2003; Kotler, 2000; Fearon; Moses, 2002).

A diferença mais importante entre desnutrição e caquexia do câncer é a preferência por mobilização de gordura poupando o músculo esquelético da desnutrição, enquanto na caquexia há igual mobilização de gordura e tecido muscular (Silva, 2006).

A caquexia cancerosa não se trata de um único fator causal. A combinação de sintomas é o resultado de alterações fisiológicas seqüenciais e simultâneas proveniente da ação metabólica do câncer e da respectiva resposta do hospedeiro (Argilés, 20003).

Clinicamente, a caquexia manifesta-se por perdas involuntárias de peso, fraqueza, alteração do paladar, saciedade precoce, disfagia, estomatites, náuseas, vômitos, déficit cognitivo. A ocorrência da síndrome leva à atrofia muscular esquelética, miopatia, perda rápida de tecido gorduroso e depressão.

Em relação ao estado nutricional, a síndrome da caquexia em câncer freqüentemente vem acompanhada de anorexia, o que contribui para acentuar a perda de peso (Rubin, 2003). As alterações laboratoriais mais freqüentes são anemia, hipoalbuminemia, hipoglicemia, hiperlipidemia e intolerância à lactose (Cabral; Correia, 2004). Clinicamente observa-se nestes pacientes atrofia e rugas na pele, fossas temporais e face afundadas, olhos salientes, vértebras espinhais e púbis proeminentes, entre outros.Muitas vezes a caquexia é observada antes dos sinais e sintomas do próprio câncer. A literatura relata uma incidência de aproximadamente 40% de desnutrição em pacientes que recebem terapia antineoplásica. Ainda hoje, apesar dos progressos no tratamento e detecção do câncer, a caquexia é freqüente em pacientes com neoplasias e está associada a mais de 20% das mortes (Tisdale, 2002).

O quadro de desnutrição que se instala pode prejudicar as funções imunológicas, aumentando significativamente o risco de contrair infecções. Essa observação é particularmente importante em pacientes submetidos a cirurgias para retirada do tumor, que, em caso onde há desnutrição, apresenta maior incidência de complicações pós-operatórias em conseqüente aumento no tempo de internação e da taxa de morbidade e mortalidade (Strasser; Bruera, 2002; Waitzberg, 2004).

Conclusão: A caquexia (Estado de desnutrição orgânica) induzida pelo câncer é um complexo estado metabólico, caracterizado pela progressiva perda de peso e diminuição das reservas do tecido adiposo e muscular esquelético do paciente. Também as modalidades terapêuticas fundamentais das doenças neoplásicas (cirurgia, quimioterapia e radioterapia) são fatores de relevância no aparecimento, agravamento e manutenção da desnutrição do paciente com câncer por influenciarem negativamente na ingestão, digestão, absorção e metabolismo dos nutrientes.

O aumento da tolerância à radioterapia e quimioterapia é verificado quando ocorre a prescrição de uma “Dieta Suplementada com Nutrientes Específicos” para fortalecer a imunidade e nutrir o organismo adequadamente. Esses suplementos específicos têm a ação de proteção contra lesão intestinal e toxicidade do tratamento medicamentoso, pois as células intestinais ficam fragilisadas, dificultando a absorção dos nutrientes.

Quanto às células do sangue: hemácias (sua redução representa “anemia”), leucócitos (células de defesa, que quando baixam, representam redução da imunidade) e plaquetas (células que evitam hemorragia e que também poder sofrer uma redução nos tratamentos de quimioterapia), a seqüência de uma “Dieta Suplementada com Nutrientes Específicos” também tem condições de equilibrar de uma forma melhor essas alterações geradas pelo tratamento medicamentoso contra o câncer.

No paciente devidamente suplementado observa-se também um menor efeito da sintomatologia resultante da quimioterapia como náuseas e vômitos. Estes sintomas também afetam o estado nutricional do paciente oncológico.

A terapia nutricional constitui numa arma terapêutica essencial para que o paciente com câncer possa se submeter ao tratamento antineoplásico, e deve ser instituída tão logo seja diagnosticado o câncer, para prevenir a perda de peso, a desnutrição, prevenir a anemia e fortalecer a imunidade, criando condições orgânicas para melhor responder ao tratamento medicamentoso.

Portanto, diante de todas estas alterações funcionais no organismo do paciente com câncer, surge a importância de fazer uma “Dieta Personalizada” suplementada com “Suportes Nutricionais Específicos”, elaborada por um “Nutricionista”, com a finalidade evitar e/ou melhorar a desnutrição do paciente, dando-lhe mais chances de superar uma doença tão destruidora do organismo.

Fonte: Revista Nutrição em Pauta – Março / Abril: 2007

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